Lourinhã pré-histórica

Um importante ponto de estudo da arqueologia pré-história portuguesa.

Jornal Regional Lourinhã Alvorada. Lourinhã. Edição Nº 1156. p.11

CONSTANTINO, A.; RENDEIRO, L.; FIGUEREDO, J. (2014)

“A arqueologia é hoje em dia uma área de estudo que desempenha um importante papel na compreensão do passado. A sua importância não se restringe apenas ao mundo académico, tem cada vez mais um papel importante em termos sociais e económicos. Possível até de se tornar num importante pólo turístico e de desenvolvimento sustentado. A Lourinhã com a sua excelente localização, privilegiada com proximidade com o mar e com a serra, tem debaixo dos seus pés uma história riquíssima que muitos desconhecem e que urge em se dar a conhecer e preservar. Esta simbiose entre o mar e a serra levou o Homem a procurá-la e a ocupa-la desde muito cedo. Os trabalhos de arqueologia realizados, têm vindo a indicar que a Lourinhã era uma zona bastante atractiva para as primeiras comunidades que aqui chegaram. Para além de ser uma zona com uma grande facilidade de aproveitar o que o mar de melhor oferecia, seja alimento seja como forma de mobilidade, a Lourinhã tinha uma rede hidrográfica que servia de autênticas estradaspara comunicar com o interior. Fruto destas excepcionais condições, temos no concelho vários indícios deste aproveitamento dos recursos como os casos dos concheiros de Toledo e de Vale Frade, datando do Mesolítico. Estes concheiros são até agora os mais conhecidos a Norte de Portugal. Também a zona das Cesaredas, tem-se revelado como caso quase único a nível nacional relacionado com necrópoles em gruta do Neolítico e do Calcolítico com os seus enterramentos em perfeito estado de conservação. Tornando-se assim numa importante área de estudo sobre a evolução humana, juntamente com os tholos de Paimogo. Esta enorme importância que a Lourinhã tem a nível nacional para a compreensão da Pré-História, tem trazido ao seu concelho desde muito cedo arqueólogos de renome. Como Nery Delgado ainda no século XIX, ou o Doutor João Zilhão, chamado nos anos 80 para intervencionar uma necrópole na Feteira. E se ainda está bem presente as ossadas humanas, crânios e artefactos cerâmicos que saíram da gruta da Feteira. Então a memória refresca-se este ano, com as novas descobertas de mais ossadas humanas, mais crânios, e mais artefactos cerâmicos. Desta vez, num local inédito, dentro do concelho da Lourinhã, cuja localização é mantida secreta, pela importância dos achados, e pelas indicações da própria tutela. Não fossem estes mesmos achados, e restos de ossos, de Homens que por aqui viviam e por aqui morreram, há milénios atrás, um factor chave para colocar o concelho da Lourinhã no mapa da arqueologia pré-histórica portuguesa. Todo o cuidado e segurança em preservar os achados tal como foram encontrados, é tido por nós como regra fundamental.Desta forma torna-se primordial antes de tudo, conhecer e proteger o importante património que se esconde debaixo dos nossos pés a fim de o dar a conhecer tanto à população local como os demais que chegam à Lourinhã. E porque preservar o passado, é a melhor forma de garantir o futuro dos que nos sucedem, é urgente arregaçar as mangas e meter as mãos ao trabalho. Não nos iludemos, a importância dos achados são de extrema importâcia. E os Lourinhanenses merecem o esforço dos que se interessam, para preservar e divulgar o seu património.”

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